quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Casa de bebê



Essa foto é de uma vitrine em Buenos Aires. Eu estava grávida de 5 meses - há quase um ano -, e ainda não sabíamos o sexo do bebê. Tínhamos feito um utrasom antes de sair daqui (queríamos saber se era menina ou menino para fazer as primeiras comprinhas de roupas), mas ela se negou a colaborar. Apareceu sentadinha e com as mãos na frente do “X” da questão. Ou seria o Y?

A loja ficava ao lado do hotel. Todo dia passávamos ali e ficávamos namorando os carneirinhos. No último dia, entramos e compramos aquele pequenininho que está deitado “de bruços” com um travesseiro nas patas.

Tiramos a foto naquela onda de mostrar quando ela crescer: "olha o seu carneirinho na vitrine da loja, nesse dia você estava na barriga da mamãe"... E encarar mil perguntas, claro.

É tão bom lembrar isso. Parece que foi ontem.

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A decoração mudou um bocado desde que ela nasceu. Um bebê redecora a casa toda, não só o quartinho. Aqui se vê, de relance: o sofá, a mesinha de centro, um leãozinho colorido, o piano, os livros, o palhacinho de pano e o ursinho grudado na sua bola sonora de João-Bobo. Ah, e um tapete emborrachado de quebra-cabeças com o alfabeto e figurinhas mil.

Antes, não tínhamos os animais e todas essas cores. Vivíamos pensando em chamar um decorador para dar um jeitinho. Mas fizemos coisa bem melhor.

Era uma casa muito engraçada.



PS: O carneirinho está no berço (que é para ela dormir contando carneirinho, claro).

sábado, 15 de setembro de 2007

Zero dieta

Estou de volta. Primeira novidade: FINALMENTE o pediatra me liberou da dieta rígida da amamentação. Ela já está com 7 meses e, segundo ele, agora eu posso comer de tudo. Vocês não sabem o alívio que estou sentindo. Saí do consultório, literalmente, aos pulos. Quero comer o mundo. Ele avisou: não vá enfiar o pé na jaca! Tudo bem, na jaca eu não enfio. Mas no brownie com sorvete, no chocolate amargo, no cappuccino, nas trufas, no sushi, no camarão, nos queijinhos, empadinhas, pastéis, pizza, lasanha...

Urgente: comprar uma esteira e um pula-pula. Vou empilhar um em cima do outro e pula-pular correndo, cantando e dançando com um pompom em cada mão.

- Mãe, o que você está fazendo? – Ela vai me questionar, com a sobrancelha arqueada.

- Sshhh... A mamãe está estudando, filha.

- Estudando o quê?

- Estudando uma maneira de incrementar esse exercício com um bambolê e uma peteca. Você me empresta esse chocalho?

Pobrezinha.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Papinha de bebê

E por falar em primeira papinha de bebê, aqui vai um videozinho ótimo de uma menina provando os primeiros sabores.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Menino ou menina?

Saí empurrando o carrinho de manhã cedo; fomos fazer nosso jogging juntas. De vez em quando ela olhava para trás e me abria um sorrisão (Deus achou que a minha vida precisava de mais cores e botou essa menina dentro da minha barriga, só pode).

Pois uma mulher nos parou em plena pista de caminhada.

- Nossa Senhora, benzadeus, que coisa mais linda!

Claro que adoramos elogios. Agradecemos, envaidecidas. Mas acontece que ela não tinha a menor pressa e continuou a prosa.

- Olha que simpatia. Coisinha fofa, tá rindo para a titia? A titia adora criança.

- He he...

Eu não sei o que dizer nessas horas, então faço “he he” e fico com a maior cara de três pontinhos. Paradas na pista de caminhada. Bicicletas indo e vindo. O sol esquentando. O que é que a gente deve falar? Convido para um café? O pior da minha timidez é quando ela esbarra na autocensura, me sinto uma pessoa horrível. Nessas horas nenhum pombo faz cocô na gente, que aí era fácil, uma fatalidade...

- Uma criança ilumina a vida da gente.

Verdade. Três pontinhos.

- Qual é a idade?

Seis meses. Três pontinhos. (Meu reino por um pombo).

- Já come papinha?

Sim. Três pontinhos. (Os pombos entraram em extinção de repente?).

- Olha como é forte esse garotão!

Garotão?? Minha filha vestia um body cor-de-rosa e, não bastasse, usa brincos. Perdi a timidez na hora.

- É uma menina. (Ponto final).

- Ah! Desculpe! É que não dá para perceber, tão novinha, né?

- Pois é. (Como assim? Como assim? Como assim?).

- Ainda mais com essa roupinha vermelha.

- Pois é. (Onde foi que você comprou esses óculos de sol, hein? É rosa! Rosa!). Mas também tem o brinquinho, ó...

- Hein? Onde? Ah, ali, bem escondidinho.

Certo, da próxima vez compro duas argolas e penduro uma em cada narina. Dessa mulher maluca.

sábado, 25 de agosto de 2007

Como agradar um bebê

Peguei o violão e cantei Ciranda Cirandinha para ela. Me olhava, atenta. Cantei de novo. Olhava. Cantei e sorri. Ela não movia um músculo.

Cantei A Canoa Virou, a mesma coisa.

Cantei Ai Bota Aqui (o teu pezinho), idem.

Cantei Atirei o Pau no Gato e fiz MIAAAAUUU escandalosamente com uma careta totalmente apelativa. Ela riu que se dobrou.

Claramente não estava nem um pouco interessada nas minhas qualidades artísticas. Pegou foi amizade pelo bichano, mas antes assim.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Papinha (parte II)

A segunda papinha já foi mais bem aceita e a terceira, hoje, foi mais da metade. Fico olhando para ela e abrindo minha boca, sorrindo, falando agudo e fazendo “hummmm” mil vezes. Depois me dou conta do ridículo, mas nem assim paro.

Se eu fosse completamente sincera, olharia bem séria para ela e diria:

- Vale a pena encarar essa papa agora, minha filha, para depois não ter problemas com pato assado, risoto de funghi, terrine de bacalhau, salmon skin, foie gras, rocambole de laranja, toucinho do céu, pudim de claras...

Mentira também. Mais honesto seria:

- Vale a pena encarar essa papa agora, minha filha, para depois ter problemas com pato assado, risoto de funghi, terrine de bacalhau, salmon skin, foie gras, rocambole de laranja, toucinho do céu, pudim de claras...

Mas as mães não são sinceras. As mães são felizes.

domingo, 19 de agosto de 2007

Primeira papinha

Fomos ao pediatra, consulta de seis meses. Toda saudável e linda. Engordou 550 gr e cresceu 2,5 cm no último mês. Só com leitinho holandês da mamãe aqui. E foi a última vez que eu disse isso; acabou minha exclusividade. A partir de agora, vai entrar na papinha. Ontem, primeiro dia, rejeitou solenemente. Fechou a boca, fez que ia vomitar, engasgou, cuspiu tudo fora. Chorou.

Olha, eu não sou de frescura, mas fiquei com o coração na mão. Impressionante como isso me toca, as insatisfações da minha filha. Repito, não sou de frescura. Pobrezinha morria de fome e não se entendia com aquela papa de jeito nenhum! Primeiro dia é assim mesmo, todo mundo diz, tem que ter paciência, blá blá blá, vai acostumando, etc. Li num livro que pode demorar meses.

Tudo bem, eu agüento. Mas vou engasgando mais do que ela.