segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Era fantasia

Muitas coisas que eu fantasiava sobre a maternidade não viraram verdade comigo. Pensava, por exemplo, que ser mãe me daria uma espécie de “aura da serenidade”; que eu ia ter uma paciência interminável, não só com as crianças em geral, mas com as coisas da vida. Que ia me estressar menos, ficar menos ansiosa, deixar de prever catástrofes madrugada adentro. Ter calma e sabedoria, saber esperar o momento certo, aquela coisa meio Buda.

Não sei de onde tirei tanta bobagem!

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Cadê a mamãe?

Agora com quase 8 meses, ela se joga na direção do objeto desejado, mostrando interesse alegre e urgente. A estante de livros e DVDs, uma latinha ou garrafa de refrigerante, coisas coloridas em geral.

(Parênteses: li uma ótima no jornal de ontem, sobre tempos modernos. Uma criança viu um LP na mão do pai e disse “olha um DVDão!”).

Eu me escondi atrás da porta e fiquei dizendo “cadê a mamãe?”. Depois apareci para ela e voltei para trás da porta. Fiz outra vez. Na terceira vez, fiz “cadê a mamãe?” e continuei escondida. Ela, no colo do pai, entortou o tronco e me achou no esconderijo. Risonha.

Todo dia eu penso que já entendi o que é ser mãe, e todo dia ela vai me buscar no esconderijo para mostrar que eu ainda não entendi.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Nova inspiração

Fiquei uma semana sem internet em casa, mas voltei com nova inspiração. Olha no videozinho aí do lado...

Perigo: bebê a bordo



Outro dia eu atravessava a cidade tranqüilamente, de carro, com minha filha na cadeirinha dela, quando ouvi no rádio o seguinte comentário. Preparem-se.

Em São Paulo, um delegado comentou que tem observado uma nova “tática” dos assaltantes. Em vez de dar preferência somente a carros com mulheres sozinhas – como era sabido -, como se não bastasse, agora estão escolhendo as vítimas pela presença de bebês a bordo.

!!!

Segundo o delegado, parece que a preferência é baseada no fato de as mães se apavorarem diante da ameaça aos filhos (ainda mais depois do ocorrido com o João Hélio). Assim, a ação dos ladrões seria “mais simples”.

Eu nem sei como classificar uma nota como esta.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Alarmista

Pela calçada empurrando o carrinho. Um senhor passa e se estica todo para olhar para ela. Quando penso que vou ouvir um elogio (tão comum, hoho), ele espeta:

- Ela tá com um negócio na boca.

Fui olhar, era uma pontinha do cinto de segurança do carrinho. Inofensiva, claro. Mas o jeito do homem falar, parecia que ela ia engolir uma moeda a qualquer momento. Áspero, do tipo: cuida direito dessa pobre criança! Me acusando.

Tadinho, vai ver não cuidaram direito dele e ficou assim.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Casa de bebê



Essa foto é de uma vitrine em Buenos Aires. Eu estava grávida de 5 meses - há quase um ano -, e ainda não sabíamos o sexo do bebê. Tínhamos feito um utrasom antes de sair daqui (queríamos saber se era menina ou menino para fazer as primeiras comprinhas de roupas), mas ela se negou a colaborar. Apareceu sentadinha e com as mãos na frente do “X” da questão. Ou seria o Y?

A loja ficava ao lado do hotel. Todo dia passávamos ali e ficávamos namorando os carneirinhos. No último dia, entramos e compramos aquele pequenininho que está deitado “de bruços” com um travesseiro nas patas.

Tiramos a foto naquela onda de mostrar quando ela crescer: "olha o seu carneirinho na vitrine da loja, nesse dia você estava na barriga da mamãe"... E encarar mil perguntas, claro.

É tão bom lembrar isso. Parece que foi ontem.

**
A decoração mudou um bocado desde que ela nasceu. Um bebê redecora a casa toda, não só o quartinho. Aqui se vê, de relance: o sofá, a mesinha de centro, um leãozinho colorido, o piano, os livros, o palhacinho de pano e o ursinho grudado na sua bola sonora de João-Bobo. Ah, e um tapete emborrachado de quebra-cabeças com o alfabeto e figurinhas mil.

Antes, não tínhamos os animais e todas essas cores. Vivíamos pensando em chamar um decorador para dar um jeitinho. Mas fizemos coisa bem melhor.

Era uma casa muito engraçada.



PS: O carneirinho está no berço (que é para ela dormir contando carneirinho, claro).

sábado, 15 de setembro de 2007

Zero dieta

Estou de volta. Primeira novidade: FINALMENTE o pediatra me liberou da dieta rígida da amamentação. Ela já está com 7 meses e, segundo ele, agora eu posso comer de tudo. Vocês não sabem o alívio que estou sentindo. Saí do consultório, literalmente, aos pulos. Quero comer o mundo. Ele avisou: não vá enfiar o pé na jaca! Tudo bem, na jaca eu não enfio. Mas no brownie com sorvete, no chocolate amargo, no cappuccino, nas trufas, no sushi, no camarão, nos queijinhos, empadinhas, pastéis, pizza, lasanha...

Urgente: comprar uma esteira e um pula-pula. Vou empilhar um em cima do outro e pula-pular correndo, cantando e dançando com um pompom em cada mão.

- Mãe, o que você está fazendo? – Ela vai me questionar, com a sobrancelha arqueada.

- Sshhh... A mamãe está estudando, filha.

- Estudando o quê?

- Estudando uma maneira de incrementar esse exercício com um bambolê e uma peteca. Você me empresta esse chocalho?

Pobrezinha.