quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Viagem com bebê

Como alguns já sabem, em março nós vamos fazer uma viagem pela Europa - a primeira da Lara. Pesquisando pela internet, encontrei esse blog maravilhoso com ótimas dicas sobre viagens com bebês.

Nele, o pai de uma menina chamada Clara escreve textos impagáveis contando como a família vive coisas corriqueiras como check in, vôos internacionais, hotéis, jantares e passeios turísticos - que, é claro, com um bebê ganham ares de estréia para todos os envolvidos.

Para quem estiver pensando em correr mundo com o pimpolho a tiracolo é leitura indispensável. E para quem simplesmente adora viajar, mesmo sem bebês, trata-se de uma ótima fonte também.

Boas viagens!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Meu bebê tem um ano



Você não vai se lembrar, filha, mas a festa do seu primeiro aninho bombou. Olha a foto do bolo aí em cima. Vovó Wilma fez tudo com as próprias mãos – inclusive o bolo, sabia? E o comentário geral foi: como ela está se divertindo!

Claro que a vovó estava se divertindo. Mas o comentário era sobre você.

Ficou linda naquele vestido “longuinho” branco com flores bordadas. Mamãe comprou o sapatinho de última hora, não era o mais bonito do mundo, mas no seu pé ficou uma jóia. Aliás, duas. Três com o seu sorriso. Quatro com a sua alegria. Cinco, sete, quinze, treze, oito.

(Calma, você ainda vai aprender a contar, e depois vai aprender como é legal quando a gente esquece a ordem dos números porque bate uma onda de alegria e bagunça tudo. Essa parte do bagunça tudo você já está começando a pegar rápido, tenho reparado).


Kiu – da lei da gravidade, não tão grave assim

Filha, hoje você disse “kiu” pela primeira vez. Acho que temos que conversar um pouco a respeito. Dizer kiu é muito importante na vida de uma pequena pessoa. Das grandes também.

A mamãe presenciou e vai registrar aqui o momento para não esquecer: você atirou um carrinho no chão e disse: kiu! Apontou para ele e repetiu: kiu!

Sim, o carrinho caiu. Quando as coisas voam da nossa mão e batem no chão é kiu. Quando uma bolinha de algodão escorrega do trocador, por exemplo, a gente pode dizer que é um kiu macio. Quando é um copo de vidro, kiu e quebrou. Não faz mal, é só não pisar em cima e chamar logo um adulto.

Um detalhezinho que você pode ainda nem ter percebido: pessoas também kiu. Mamãe já kiu de bicicleta uma vez e tem a cicatriz até hoje. Você também já kiu várias vezes, sabia? Até chorou, mas foi só o susto. Kiu, mas nem doeu.

Uma coisa o seu tio sempre diz: avião não cai, ele é derrubado. Seu tio é piloto, mas graças a Deus não exerce a profissão (mamãe ficaria eternamente preocupada com o kiu dele). O que ele quer dizer com isso é que aviões não foram feitos para cair. Se não houver nenhum erro, seguem voando até pousarem confortavelmente em algum aeroporto grande e liso.

Isto posto (mamãe envereda por uns termos esquisitos às vezes, desculpe), deve ficar claro o seguinte: kiu é normal, é a lei da gravidade. Todos os corpos – e os pedaços, e os cacos, e os punhados e até os farelos do biscoito de maisena – são atraídos loucamente por uma coisa reta e dura chamada chão. Até dizem: “do chão não passa”. Isso significa que a lei da gravidade, na verdade, não é tão grave assim.

Quando você joga alguma coisa no chão, dizer kiu é relativo. Claro que kiu, mas foi porque você quis. Isso pode amenizar o olhar perdido e sensação de injustiça, afinal, já viu jogador de basquete ficar triste porque a bola kiu na cesta? Só se for do outro time.

O que a mamãe quer dizer com essa conversa toda é que existem inúmeros tipos de kiu, e nem todos são tristes. E, principalmente: tem coisa que jamais kiu. Você é milha filha – e podem mandar a lei da gravidade com o promotor mais engravatado e o juiz mais gravíssimo que houver, ninguém nunca vai conseguir fazer isso kiu. É nosso e ninguém tasca.

A alegria da família na sua festa de um aninho, o seu sorriso faceiro e sapeca diante do bolo fazendo hummmm, as palminhas que você batia no colo do seu pai e as gracinhas que você fazia provocando risos gerais – tudo isso tem um selo enorme escrito assim: “eternamente à prova de kiu”.

E o resto todo pode kiu à vontade, é só a gente não pisar em cima e chamar logo um adulto.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Um aninho

É amanhã. Ela faz um aninho.
***

Pequeno Dicionário de Um Aninho (em ordem desalfabética, uma vez que ela ainda não se alfabetizou):

“Buuu” – acabou. Quando acabou o conteúdo do meu seio, ou da mamadeira, ou do prato de comida. Buuu. E faz o gesto com as palmas das mãozinhas para cima, como quem diz acabuuuu-se o que era doce. Detalhe totalmente baby-tech: ontem eu estava com ela no colo e mandei reiniciar o laptop. Quando a tela apagou, ela me olhou espantada e: “Buuuu”.

“Papá” – papai. Ela diz muito. Quando o pai chega, exclama com alegria. Quando sai, chama com convicção. Quando entra alguém e o pai está presente, aponta e indica a qualquer pessoa que já sabe quem é o “papá”. Mas, muita atenção: também pode significar comida, comer, comendo, comerei, comeria, comi, comício, comarca, comércio, comilança, comensais, começo e comédia. (Ou disso tento me convencer no afã de achar razão plausível para o fato de ela dizer 9 “papá” para 1 “mamã”).

“Mamã” – mamãezinha querida do meu coração. Ponto.

“Mamá” – sutil diferença no último “a”. Repare que o “ã” do “mamã” é com til, portanto nasal. Nasal vem de nariz, que vem de cheiro, que vem do insubstituível amor materno e sua nasal intimidade afetiva, efetiva e olfativa com o bebê desde o nascimento até a primeira cópia da chave de casa. Deus, quanta bobagem a gente diz no desespero. Enfim. E “mamá”, com “á” aberto, significa leite, seios, mamadeira ou simplesmente “tô com fome!”.

“Nãnã” – não. Quando se aproxima de uma tomada, por exemplo, faz o gesto com o dedinho indicador e repete “nãnã” como quem diz que ali não se pode mexer. Ou seja, o não ela já conhece. Resta saber se já ligou o nome à pessoa.

“Vavá” – vovó. Quis ensinar que tem a vovó Wilma e a vovó Aninha, mas achei que por enquanto estava bom assim, no genérico, mesmo.

“Ufff” – Ursinho Puff (estampado no babador). Também pode significar aquele tigre que é amigo do Puff, ou o próprio babador.



"Caié" - jacaré. Por enquanto só conhece por desenho, num livro e na capa de um DVD infantil. Melhor assim.

"Cacá" - cocô.

"Pu-pu" - Piu-Piu, o pintinho do desenho que está na mamadeira pequena. Ou as aves em geral, incluindo um enorme pelicano de pelúcia que ela ganhou de Natal. Detalhe: ela diz "pu-pu" muito agudo, estou desconfiada de que acha que o "i" é um "u" extremamente fininho... Faz sentido.

“Bumbum” – automóveis em geral, inclusive os que voam.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Desmame

“... a experiência da amamentação ao peito levada a cabo com êxito constitui uma boa base para a vida. Fornece sonhos mais férteis e habilita as pessoas a aceitarem riscos.

Mas tudo que é bom deve chegar ao fim, como é costume dizer. Faz parte da coisa boa que ela acabe.”
...
“No desmame, a finalidade é realmente usar a crescente capacidade da criança para livrar-se das coisas e fazer com que a perda do seio materno não seja apenas uma questão de acaso.”
...
(O desmame) “Inclui o processo gradual de demolição de ilusões, que é uma parte da tarefa dos pais.”

A Criança e Seu Mundo - D. W. Winnicott

***

Deixo um pouco de lado minhas gaiatices literárias para falar de um assunto “técnico” da maternidade. Lara está com 11 meses e meio, e estamos começando agora o processo de desmame.

Sei que tem muita mulher grávida que vem ao Casaquinho e não tem a menor noção de como será a sua vida nos próximos meses (como eu também não tinha, e ainda não tenho, porque um bebê muda no exato momento em que a gente pensa que está aprendendo a lidar com ele).

Então, o que dizer da experiência da amamentação?

Cada mulher tem a sua, óbvio, e vou falar da minha – com intimidade e sem rodeios, como penso que devem ser tratados esses assuntos. Não acho, contudo, que “sem rodeios” dispense delicadeza. Ao contrário; tudo em maternidade é experiência direta e, por isso mesmo, extremamente delicada.

O início foi doloroso. Tive ótima assistência de uma enfermeira simpática na maternidade, que me ensinou (e desconfio que também à Lara) os primeiros passos do contato do bebê com o seio. Na verdade eu senti que esse contato é mão dupla: parece que o seio, de uma hora para outra, ganha ares de indivíduo.

E como doíam os meus pobres indivíduos no começo. A Lara pegava o bico do seio de modo certinho, mas, às vezes, não abocanhava toda a auréola (como deve ser), e aí a dor era inevitável. Mas não insuportável. O que me salvou foi a pomada Lancinoh, recomendada pelo obstetra, da qual já falei aqui algumas vezes. Mágica.

Cerca de oito semanas depois, tudo passou e a amamentação virou apenas uma mistura de “aluguel” (você fica presa de três em três horas) e prazer do contato íntimo com o bebê. Quando a Lara fez 4 meses, passou para intervalos de 4 horas. E assim foi por um bom tempo.

Cada mulher decide quando e como vai desmamar – naturalmente, se tudo estiver correndo bem. No meu caso, o pediatra da Lara sugeriu que fizéssemos perto do primeiro aniversário dela e eu concordei. Estamos iniciando o processo de forma gradativa e ela não tem apresentado dificuldade alguma.

Vou explicar mais ou menos como foi/está sendo.

- Aos 10 meses de idade, ela já estava mamando só três vezes ao dia. (Às 7h da manhã, às 2h da tarde e às 8h da noite).

- Quando fez 11 meses, decidimos tirar a mamada das 2h da tarde e, em vez disso, iniciar uma vitamina de leite Ninho 1+ batido com fruta no meio da tarde. Foi a primeira vez que ela bebeu leite sem ser o meu. Adorou e não teve nenhum problema com a mamadeira.

- Agora, com 11 meses e meio, vamos também tirar a mamada da noite, introduzindo no lugar dela o Nestogeno ou Nan2 (leite em pó).

- Por enquanto, vai ficar só com a mamada da manhã, assim que acorda. Essa eu ainda não sei quando vou tirar, mas certamente será nos próximos meses.

A seguir, cenas dos próximos capítulos. Se alguém tiver alguma dúvida levante o mouse!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Aprendendo a falar

Filhota, cante com a mamãe. “A-tirei o pau no ga-to-to”... E fico esperando que ela repita o som do meu “to-to”, mas ela só tem uma idéia fixa na cabeça:

- Pa-pai.

Sim, filha, muito bonitinho, você já sabe falar papai. Agora vamos aprender essa musiquinha, tá bem? Aaaaaa-tirei o pau no ga-to-to!

- Pa-pai.

Mas o ga-to-to...

- Pa-pai.

Não morreu-reu-reu...

- Pa-pai.

Querida, preste atenção. Vamos entrar numa parte muito importante da canção, a Dona Chica. Se você repetir “papai”, não vai ficar nem bem. Imagina, Dona-Chica-papai, não combina. Então a mamãe vai puxar a Dona Chica-ca-ca bem devagarinho, e você olha fixo para a boca da mamãe. É só fazer igual. Vai firme que eu garanto.

Enchi os pulmões e caprichei no Dona Chica, mas ela ouviu “ca-ca” e repetiu, feliz da vida:

- Pa-pai!

Que seja, fui adiante. Admirou-se-se...

- Xxxsssszzzz... Ssszzxx...

Benzadeus! Uma consoante desafiadora quebrou a rotina. Esforçou-se para fazer o som do “s”, caprichou, babou, sibilou, soprou, é isso aí, essa é a minha menina!

- Szzzzrrrrxxxx! Sssxxxsshhh!

Nada como uma consoante cheia de curvas para desestabilizar o conhecimento. Agora ela tem um chiado a mais no vocabulário, uma função inovadora para a língua, um exercício inédito para o ouvido. Arregalou bem os olhos.

- Xxxsssszzzz... Ssszzxx!!!

Cristo, e não parava mais. Parecia que me dizia:

- Ótimo, agora que eu aprendi esse chiado esquisito, onde é que eu ponho? Para que serve isso? E principalmente: onde é que eu desligo? Ssssxxxxzz! Ssssszzz!

Calma, filha, mamãe vai arrumar umas vogais bem bacanas para você escorregar com essa nova consoante. O sapo sapeca suava o sapato saía sorrindo sumia no sítio... Viu só?

- Papai. Sssszzz! Ssssshhh! Papai.

Certo, entendi.

- Queridooooo, corre aqui que essa menina engoliu um esse!!!

Tudo culpa da Dona Chica, aquela cretina.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Querido Deus



Querido Deus,

ela já vai fazer um ano. O senhor está me ouvindo? Ela já vai fazer um ano!

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Ontem mesmo estava na minha barriga. Eu disse ontem mesmo, mesmo. O senhor deve ter ouvido falar muito em gravidez, mas, na prática, estou certa de que não sabe o que é.

Quer um resuminho básico da tarefa? Lá vai:
A GENTE NÃO DESCANSA NO SÉTIMO DIA. NEM NO OITAVO, NEM NO NONO.

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Querido Deus,

muito obrigada. Esta menina está engatinhando pelo chão da minha casa inteira, a bufar coisas encantadoramente ininteligíveis. E a gente achando lindo, imagine o senhor. Imagine o senhor!

(O senhor imagina muito aí em cima? Eu, se fosse o senhor, ficaria imaginando direto).

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Querido Deus,

quando diziam que ter filho é a melhor coisa do mundo, não era mentira. O senhor, que não é bobo nem nada, pariu logo uma humanidade inteira.

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Mas o senhor, que não é bobo nem nada, descansou no sétimo dia.

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Querido Deus,

dá um trabalho danado. Agora ela quer inventar de subir em tudo – armários, estantes, sandálias, joelhos alheios, cortinas, mesas, cadeiras etc.

Mas o senhor sabe do que estou falando – afinal, o seu filho mal tinha aprendido a andar sobre as águas e já inventou de subir aos céus. Essas crianças são fogo.

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Querido Deus,

como eu já disse, ela vai fazer um ano. Estou um pouco preocupada porque ela ainda não sabe soprar. O senhor se incomodaria se eu fizesse o pedido e soprasse a velinha no lugar dela?

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O pedido: que o senhor cuide muito bem da minha pequena. Se não der pessoalmente, mande alguém no lugar. A gente aqui reconhece e agradece (quando chegar a hora, prometo que pessoalmente).

Por enquanto vai por e-mail mesmo. O senhor compreende, muito o que fazer por aqui ainda.

Ass: Mãe (tudo igual, só muda o e-mail).

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Pérolas

Duas pérolas da Adriana Falcão, em seu adorável Pequeno Dicionário de Palavras ao Vento (Ed. Planeta):

UMBIGO
Por onde mãe começa a fazer
tudo pelo filho aproveitando
a oportunidade dele ainda
estar dentro dela.

FILHO
Serzinho adorável e todo seu que um
dia cresce e passa a ser dele próprio.