sábado, 23 de agosto de 2008

Achados do You Tube

Procurando Caymmi, encontrei Alice. Não percam.



E mais:

domingo, 17 de agosto de 2008

Dormir fora de casa

Fez um ano e meio e foi pernoitar fora de casa pela primeira vez. Os avós vieram buscar, ela fez uma farra comovente – queria levar a bola, a bola era importante, mamãe, papai, ó, ó a bola. Saiu abraçada com a bola, empoleirada no colo da vó, espevitada.

Quando entrou no carro e percebeu que o pai e eu não íamos junto, senti que ela deu uma travada, fez cara de ops. Mas passou rápido. A viagem foi tranqüila e soube que ficaram dançando na varanda (os três) até tarde da noite, filando a música da vizinhança em festa.

Enfim, dormiu. Minha mãe ligou no celular, conforme o combinado, embora eu já tivesse ligado umas duas vezes querendo saber até que horas, afinal, iria aquela rave.

- Mãe, ela dorme sempre às 8:20. Oito-e-vinte! Sempre.

Mas o apartamento da vó não tem o “sempre”, e ontem era o dia em que o “nunca” vira vez em quando. Vez-em-quandaram-se, os três, na varanda, olhando a lua e dançando a rave do vovô.

Aqui sentimos falta. É engraçado como a criança é tão baixinha, mas sua presença se espalha feito passarinhos por toda a casa. E a gente passa a se mover como se o piadinho deles orientasse o espaço, num jogo delicado de desvios e toques, e quando não estão é gozado o silêncio arrastando os móveis. Tropecei algumas vezes, fiz cara de ops.

Ou seja, vez em quando é ótimo.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Mamãezinha!

Eu tinha que contar para todo mundo, desculpe.

Estava tomando café da manhã e ela em volta, blá blá blá, biscoitinho, cereal (ela pede “ceal”), de repente parou e me disse bem assim:

- Mamãe...zinha.

- Filha. Você disse mamãezinha?

E ela, decidida:

- Mamãezinha.

Alguém ensinou, não sei quem foi. Se foi a babá, que é mesmo uma gentileza, ou se uma fada interferiu num sonho dela e: “plim-plim”, diga mamãezinha!

E eu, incrédula:

- Você tem certeza?

- Não.

Já seria demais, né? Se ela me dissesse “sim, tenho certeza que eu disse mamãezinha, porque você é minha mamãezinha querida do coração!”, não estaríamos falando de uma menina de um ano e (quase) meio. Dei outra chance.

- Você disse mamãezinha?

- Mamãezinha!

Beijei aquelas bochechas, peguei naquelas mãozinhas, sacudi aqueles pezinhos, conferi – o umbigo, os joelhos, as orelhas, os olhos do pai. Estava tudo lá, conforme já constava no ultrasom, conforme o médico anunciou que era menina, e nasceu, e amamentei, e cresceu e já tem cachos castanhos, as coxas que as tias reivindicam com justiça, a pele que as avós identificam, é moreninha mais que a mãe e o pai, conforme ninguém previu – quem poderia? - a alegria, o sorriso de sete dentinhos já graúdos, ai, conforme o primeiro instante em que ela me disse, súbita e lépida: mamãezinha. Me botou no diminutivo e me aumentou três oitavas e um sustenido.

Conforme chorei.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Clarice Lispector, mãe

"Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. O ‘amar os outros’ é tão vasto que inclui até perdão para mim mesma, com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca [...]."

Clarice Lispector

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Minha mãe dava um livro

Chegou toda empolgada, tinha visto uma blusa lin-da na vitrine. Descreveu em detalhes.

- E aí? Comprou.

- Calma, estou contando.

- Hum.

- Entrei na loja. Pedi para ver o preço, já nervosa.

- Comprou?

- Calma! Pensei assim: se custar até xis reais eu compro, não quero nem saber. Fico toda endividada, mas compro.

- E custava xis?

- Doce ilusão. Custava dez vezes xis!

- Que peninha.

- Pena? Graças a Deus, isso sim. Já pensou se eu compro aquela blusa?

- Ia ficar cheia de dívida, né?

- Isso é o de menos. O pior é que eu não ia usar nunca. Ia ficar guardada no armário, eu me conheço. Onde eu iria com uma blusa daquelas? Você parece que não regula!

Hoho.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

O que dizem as moças

Gosto de ler o que dizem as moças por aí. Outro dia, li a entrevista de uma atriz famosa, 26 anos. Tem uma cara ótima, corpo ótimo, etc, fala-se até que é boa atriz.

Pois dizia, entre outras coisas, que gosta de ficar em casa e fazer comida para o marido (ótimo), e que considera esse negócio de igualdade entre os sexos uma chatice (!!!), que nós, mulheres, só ficamos com o lado ruim (!!!???), o barato dela é ser cuidada e ganhar colo...

Me dá um frio na barriga, por Deus.

Agora, por outro lado, leia um pedacinho só da entrevista com a Patrícia Poeta – lindíssima, 31 anos - na capa da revista Uma:

Uma: Para você, o que torna uma mulher elegante?

PATRÍCIA: Acho que hoje a elegância está muito ligada à capacidade de cumprir múltiplos papéis sem abrir mão de ser feminina. Nós trabalhamos, temos carreiras de sucesso, estamos na política, cuidamos de casa, criamos nossos filhos e amamos nossos maridos – tudo ao mesmo tempo. Nossa geração está aí para mostrar que é possível. E como somos mulheres do século 21 e pudemos partir daquilo que nossas mães já tinham conquistado, fazemos tudo isso com jeito e alma de mulher. Dá um trabalho danado, mas é extremamente compensador.

Não custa tanto assim dizer uma coisa bacaninha, né?

terça-feira, 29 de julho de 2008

Diário de balzaquiana

"Alguma coisa aconteceu com o meu metabolismo depois que dobrei a esquina dos 29 e entrei, cantando pneu, nos 30."

Leia a crônica inteira no meu outro blog.