Das boas coisas pequenas
Caramba!, estou muito feliz: acabo de saber que ganhei o concurso de microcontos promovido pela Academia Brasileira de Letras via Twitter.
Eu sempre gostei de fazer microcoisas. Quando crescer, é só levar um casaquinho.
:o)
Crônicas de maternidade - por Bíbi Da Pieve
Caramba!, estou muito feliz: acabo de saber que ganhei o concurso de microcontos promovido pela Academia Brasileira de Letras via Twitter.
Eu sempre gostei de fazer microcoisas. Quando crescer, é só levar um casaquinho.
:o)
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bibi
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21:23
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Outra da Lara, ontem ao meio-dia. Levanta-se do sofá repentinamente:
- Mamãe... Já que eu já tenho um metro e já fiz três anos, posso preparar a minha comida sozinha, né?
Fico tentada a explicar que não, nem todas as pessoas com (bem) mais de um metro e (beeem) mais de três anos já sabem preparar suas comidas sozinhas. Deve ser bom incentivar as crianças a pedir ajuda, penso.
E posso continuar o discurso por aí: “Às vezes, minha filha, mesmo para coisas simples como preparar a nossa comida, precisamos de alguma orientação.”
E ela perguntaria: “O que é orientação?”.
Aí eu teria que responder que orientação é quando você pergunta:
- Moço, quantas fatias tem essa pizza família?
É, deixa quieto.
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bibi
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06:31
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Filhota,
um domingo de quase inverno, você estava gripadinha e a mamãe não tinha a menor ideia do que fazer para distrair você.
Aí, acabou o papel higiênico e a mamãe foi trocar o rolo. E então...
O rolo vazio virou Rei!
E ganhou uma coroa, braços, mãos, pernas e uns óculos escuros “maneiros” - como você sugeriu.
Quando eu pensei que o Rei Rolo estava pronto,
você me enrolou mais um pouquinho:
- Mamãe... Já sei! Precisa fazer a filhinha do Rei!
O Rei Rolo então ganhou uma filha, a princesa Linda – como você sugeriu.
E já que ela era filha do Rolo,
ganhou logo de cara um bolo.
E o bolo ganhou uma vela,
e a vela ganhou um sopro,
e o sopro ganhou um pedido,
que naturalmente era segredo.
Mas segredo de papel pode contar!
(Chegando bem pertinho)
Sabe de uma coisa?
Você nem vai lembrar,
mas eu nunca vou esquecer
o nosso dia especial:
o dia da Festa da Família de Papel.
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bibi
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12:39
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Isso não tem a ver com maternidade, mas vejam se não é uma faceta indigesta das “facilidades incríveis” que o mundo virtual nos oferece – inclusive na maternidade.
Como fiz uma festinha de aniversário para minha filha em fevereiro, pesquisei várias empresas de serviços, comidinhas, decoração e outras coisinhas infantis. Porque mandei alguns e-mails pedindo orçamento e informações para as que mais me agradaram, passei a receber as “novidades” dessas empresas. Ah, o bendito cadastro obrigatório...
Durante os preparativos da festa a gente até vai curtindo, pensando nas mil e uma opções de chapeuzinhos e cajuzinhos, que coisa fofa, que coisa meiga. Hum. Aí vem a festa. Hum. Supostamente, depois que o chão do play virar um mar de borracha e papel crepom, e a sua filha estiver com dor de barriga de tanto ingerir fritura e açúcar, você estará “por aqui” de ouvir falar em festas infantis e só vai pensar em língua de sogra no ano que vem, certo?
Doce ilusão, darling. A festa não pode parar, e o marketing digital é implacável: mesmo que eu não queria saber, eles fazem questão de me avisar – e seguem me avisando, sistematicamente – quantos animadores novos foram contratados essa semana, e quantos “combos” maravilhosos são oferecidos a um precinho camarada, e...
Peraí, mas eu nem contratei animação!
Não importa. Já sou “amiga” no Orkut de uma empresa que me prestou um serviço, e eu caí na bobagem de postar um comentário no site deles elogiando a equipe (que, realmente, foi impecável). Bom, quem mandou eu elogiar? Agora, terei que conviver com constantes “atualizações” de fotos de pula-pula, trenzinho disso e daquilo, piscina de bolinha... para não falar nas festas juninas e na Copa, é claro.
Tudo isso é absolutamente irritante, mas até compreensível. Se eu sou o público-alvo deles, vão atirar em quem? Ni mim!
Mas a maior vocês não sabem: comecei a receber também convites para participar de cursos e treinamentos em animação.
Já imaginou, eu de Rei Leão?
Canto, danço, sapateio e mordo!
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bibi
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08:12
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Mais um dia, mais uma novidade: ela chega da escola, com a mesma cara de sempre, e eu encontro um bilhete da professora contendo a seguinte informação: “uma amiguinha bateu com um chocalho na cabeça dela. Colocamos gelo. Favor observar”.
Ai, a maternidade é como o circo: várias piruetas por dia, mas nenhuma rede de proteção. Uma amiguinha e um chocalho. Hum, vejamos a principal lição que podemos tirar do “episódio”:
Que a iniciação musical é uma coisa potencialmente perigosa (isso eu já sabia desde que me aventurei com uma banda de rock por esse mundão velho sem porteiras, but... nunca é tarde para reforçar o conceito).
Veja no que deu este indivíduo - o baterista -, por exemplo, que certamente foi estimulado na sua mais tenra infância a praticar a animada arte dos tambores e a curtir a vida adoidado como se não houvesse amanhã.
O resultado é este constrangimento universal de quase 34 mil visualizações:
Hihi, está bem, eu estou exagerando um pouquinho.
Mas qual mãe não exagera, pô?
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bibi
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18:19
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Agora que ela finalmente está frequentando as aulas, já que as gripes deram uma trégua (toc, toc, toc!), começamos também a investir na adaptação do transporte escolar - ou simplesmente “condução”, como chamam aqui.
No início, ficamos meio ressabiados, mas a empresa é recomendada com muita confiança pela escola – que, por sua vez, já faz parte da família há décadas e tem a minha aprovação irrestrita desde o primeiro dia de aula. E olha que sou uma observadora atenta, crítica e, dizem alguns, implacável.
Nas primeiras viagens com a condução, um de nós sempre ia junto, de “carona”, e a Lara não teve problema algum com essa adaptação. Pelo contrário: quem esteve mais insegura fui eu, querendo burlar o processo e indo buscá-la de vez em quando – está bem: todo dia! -, até que me dei conta de que não precisava mais. Afinal, ela mesma já pedia: “cadê o meu ônibus, mamãe?”. E a mãe aqui tentando se acostumar à ideia de que a pequena já encara o transporte coletivo, hoho.
Verdade seja dita: no primeiro dia em que pus os pés naquele ônibus, senti que daria certo. O motorista é cuidadoso ao extremo, e o carinho das crianças com ele é impressionante. Além disso, a monitora é um doce, e a Lara foi logo fazendo amizade com ela. Outro ótimo sinal: vim conversando com as crianças maiores, do ensino fundamental, que me contaram que estão na mesma condução desde que tinham a idade da Lara. Todos se conhecem e cuidam uns dos outros. É um ambiente familiar que dá um enorme conforto para a nossa rotina intranquila, mas necessária, de ter os filhos “na rua” em uma cidade enorme como esta.
No momento em que escrevo este post, aguardo a “entrega” da minha filha.
Ansiosa, claro. E um pouco paranoica, naturalmente.
Vou ali dar um telefonema e já volto.
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bibi
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14:17
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Ontem ela brincava com as panelinhas.
- Mamãe, agora vou fazer uns muffins!
Estranhei o termo, porque não me lembro de termos comido ou falado nesse tipo de bolinho ultimamente. “Filha, quando você comeu muffins?” -, quis saber.
Virou-se, cheia de propriedade:
- Quando eu estive em Praga.
É um barato: a memória das crianças é uma casa de tijolinhos desordenados. Realmente ela esteve em Praga, mas tinha só um aninho e, que eu me lembre, não comeu muffins por lá. Mas ouviu nossas histórias de Praga, e andou sabendo de muffins por aí, então as duas coisas viraram uma só no improviso da fantasia. Bonitinho.
Mais engraçado ainda é quando ela mistura os tempos, como se não houvesse linearidade na história. Um dia, estávamos conversando sobre quando ela era um bebezinho (um de seus assuntos preferidos), quando ela arriscou:
- Quando eu ficar bebezinho de novo, vou querer dormir com essa mantinha florida.
Noutras vezes, o salto no tempo é ainda mais doido:
- Mamãe, quando você ficar bebezinho eu vou te dar mamadeira e cuidar de você.
E o mais fantástico: outro dia descobri que ela pensa que a minha gravidez é uma coisa “recíproca”, a saber: quando eu estive grávida, ela morava na minha barriga. Por outro lado, quando ELA esteve grávida, eu também morei na sua barriga. (!)
Esse papo divertido rolou durante o banho dela.
- Filha, mas EU sou sua mãe...
- Sim, e eu também era grávida de você.
- Na verdade, EU estive grávida de você.
E ela assustada, olhando a própria barriga:
- Então quem morava na minha barriga???
Faz sentido, geralmente é alguém da família mesmo.
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bibi
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11:20
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