sábado, 5 de dezembro de 2009

Bolos de mães e filhas

Minha mãe me manda, por e-mail, a receita do bolo que pedi. Mas escrita por extenso: o procedimento vem todo esmiuçado, depois a manteiga, depois os ovos, e cheio de “ATENÇÃO!” para que eu não saia, atabalhoada e às pressas, adicionando coisa que não convém. Ah, ela me conhece.

Mea culpa: assassinei um bolo mês passado porque, olhando bem a cara da massa, e querendo adivinhar seu caráter, comecei a achar que... Foi minha ruína, "achar que". Não se deve julgar o caráter das farinhas - até porque se vingam, fui saber só depois -, muito menos tomar atitudes inusitadas diante do liquidificador (outro que, apesar do barulho todo, não passa de um cínico calculista). É fazer o bolo e pronto. Um bolo não é feito de ideias ou de intuição e, ainda que fosse, o meu daria trabalho dobrado, possivelmente virando biscoito, ou nem.

Escute aqui, bolo é pura química com medidas matemáticas, isso se eu quiser um resultado comestível. O bolo, só.

Tudo isso para, no final, minha mãe fechar as instruções com a seguinte ordem: “Mexer gentilmente”.

Rárá, ou não seria minha mãe...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Diga lá, mamãe!

Sabe aquela ideia genial que a gente, quando vê, pensa: como é que isso não me ocorreu antes? Pois é, Minha Mãe Que Disse. É uma loja virtual que traz as maiores fofices do mundo para os pimpolhos da nossa vida. E tome bom gosto! Dá vontade de comprar tu-do, principalmente o que não serve na minha filha. Que venha o Natal!

PS: Não conheço a autora da ideia pessoalmente e não ganho nada para divulgar, viu? É fofa demais mesmo!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Eu + 1 ano

O que dizer quando ligo o computador nesse dia tão lindo e vejo uma mensagem fofa do Laboratório “X” me felicitando pelo aniversário?

Eu li direito, laboratório?

Ai, filha. Tão querendo acabar com a mamãe. O que me restará? Vou botar um biquíni mínimo e passear de elevador, com aquela simpática luz fria acusando minhas curvas acidentais sem sinalização? Vou ouvir isso que chamam de “música eletrônica” e quicar no calçadão, sem rumo e sem ritmo, exibindo a raiz irretocável dos meus cabelos na frenética ousadia dos sem-noção?

Pedirei uma cerveja de garrafa e esperarei esquentar um pouco – para não doer os dentes -, e ficarei lembrando que conheci a Alemanha um pouco antes da queda do muro?

Argh!, vou fazer nada disso. Na dúvida, hoje vou falar as mesmas piadas de sempre e agradecer a Deus pelas suas risadas a granel. Meu presente dia sim, dia também.

sábado, 21 de novembro de 2009

Pegando intimidade com sanguessugas e as tripas da coruja doente

Simplesmente não entendo que o canal Discovery Kids exiba regularmente, às 8:30 da noite, o programa “As Aventuras de Bindi”. A apresentadora mirim interage com animais selvagens e, segundo a sinopse, essa série “tem a missão de informar as crianças e os jovens sobre as maravilhas do mundo natural, estimulando-os a praticar exercícios, manter uma vida saudável e adotar práticas para a conservação da vida selvagem.”.

Está bem. Bindi é filha de Stephen Irwin, um apresentador de TV australiano que era conhecido como “O Caçador de Crocodilos”. E digo “era conhecido” porque morreu em 2006, em uma de duas aventuras televisivas, vítima de uma arraia que, literalmente, perfurou seu coração. Cabe lembrar que esse homem causou polêmica, em 2004, ao alimentar um enorme crocodilo enquanto segurava seu filho - ainda um bebê de poucos meses! - no colo. Veja você.

Respeito o interesse do Discovery Kids por tentar incentivar a conservação da vida selvagem, mas as aventuras de Bindi passam longe do objetivo divulgado e me fazem zapear para o canal concorrente antes dos primeiros 10 segundos da “atração”. Numa das raras vezes que assisti, Bindi narrava a história dramática de uma coruja que estava muito, muito doente, enquanto o veterinário abria o peito do bicho em uma cirurgia que, segundo informavam, “era o único modo de salvá-la”. Minha filha viu as tripas da coruja e ouviu a voz fúnebre da narradora. Perguntinha: será que ela se sentiu estimulada a praticar exercícios físicos e cuidar da natureza? Não creio.

Para completar, vejam só que doçura a descrição do programa desta noite:

Título: Ilha do Diabo

“Espécies únicas de animais que habitam ilhas correm grande risco quando uma doença contagiosa atinge seu hábitat isolado. Bindi mostra os diabos-da-Tasmânia lutando contra uma epidemia que poderia aniquilar uma população inteira desses animais.”

Às oito e meia da noite. Para dormir com os anjos, não?

sábado, 31 de outubro de 2009

Querer bem perto

Filha,

amigo é uma pessoa que você quer bem. Querer bem é, geralmente, querer bem perto. Mas, no caso dos amigos e amigas, morar perto não é condição para continuar se querendo bem, nem mesmo para querer bem perto.

Mas como "querer bem perto" estando longe?

Uma solução é dedicar pensamentos. Sabe aquele chavão do rádio, "dedique uma canção a quem você ama"? Meu Deus, mas o que estou dizendo?! Você nem sabe que existe rádio, e eu aqui, com meus 127 anos de idade, explicando amizade à distância para uma geração que vai confundir mensagem SMS com fax, telegrama... e toda essa velharia precária do tempo da mamãe. Tá, voltemos à amizade.

Dedicar pensamento é aproveitar a carona de alguma lembrança que você tem com aquela pessoa e "viajar", no tempo e no espaço, fazendo de conta que o acontecimento em questão está se passando outra vez. Aqui, agora. Não como num filme, a que você só assiste, mas como vida mesmo. Participando.

Sendo ainda mais clara: pegue o amigo (ou amiga) que está longe, aperte bem apertadinho, amasse se for preciso, e jogue lá dentro do seu pensamento. Embole tudo em uma massa, o passado e o presente - e, de preferência, o futuro também. Assim, você lembra (o passado), sorri agora (enquanto está lembrando) e, de quebra, planeja reencontrar o sujeito ou a sujeita. Acrescente saudade a gosto, gargalhadas à vontade e não esqueça o mais importante: mantenha sempre abertas as possibilidades.

Amizade é um negócio que dura e não precisa guardar na geladeira. Aliás, nem deve. Matenha à temperatura ambiente que é mais garantido. De vez em quando, faça contato (não vou citar aqui os meios para não correr o risco desta carta ficar datada).

Por falar em contato, olha o que chegou hoje para você. É de uma amiga da mamãe; de verdade ela vive longe, mas tenho uma versão de bolso e levo sempre comigo. Não pesa nada, custa baratinho... E me dá cada conselho ótimo!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Rápidas... como as crianças são

Querendo desenhar mais, mas não encontrando espaço: “Mamãe, me dá um papel seco?” [filha em gotas].

Chegando em casa, depois de ter passado um dia com os avós: “Sai, mamãe, eu gosto mais do papai!” [kinder ovo, espinho].

Enquanto trabalho: “Oi, mamãe!”, subindo na cama: “Olha, mamãe!”, pulando na cama: “Vem, mamãe!” [pingue-pongue].

Querendo usar batom: “Já sou adulta!”, querendo atenção: “Olha como eu sou um bebezinho!”, ameaçando comer sem talheres: “Au, au! Sou um cachorrinho!” [repertório de si mesma].

Calçando os sapatos: “Já sei fazer isso so-zi-nha!”, alguns segundos depois: “Me ajudaaaaa!”, um minuto depois: “Me deixaaaaa!”, dois minutos depois: “Posso ficar só de meias?” [querer-poder-conseguir].

Puxando conversa: "Que horas são, mamãe?". Dez e meia. "Que caro!!!" [time is money].

Com o dedo na minha pálpebra: “Mamãe, tu é beeem velhinha?” [agora fiquei].

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Em atraso

Eu não viajei, não! Estou por aqui, finalizando um trabalho que eu já deveria ter finalizado. E, como sei que já deveria ter postado no blog, fiquei com vergonha de aparecer antes e deixar um "oi" corrido. Bah.

***
Alou?

Filhota, um "oi" corrido é melhor que nada, viu? A pessoa fica preocupada! Você não liga, não dá notícias! Desde que decidiu estudar esse tal de... (preencher lacuna), tem sido assim. E quem é que segura o coração do seu pai, me diz? Me diz?

Alou?

Como é que eu agora vou defender o... (preencher lacuna), se o coitado já leva má fama só pela pretensão a genro, imagina só quem vai levar a culpa pelo seu sumiço? Não tem desculpa, minha filha. Mandasse uma mensagem de texto. Como assim, tendinite? Eu falei, contrabaixo não é instrumento para menina.

Sim, querida, mas eu tinha 16 anos!
23, dá no mesmo.

Tá bem. Mas não deixa de dar notícias! E olha, tá fazendo muito frio aí? Leve um casaqui...
ALOU? ALOU???
***

Ai, faz tão bem desabafar que eu aproveito e desabafo no presente, no passado e no futuro, tudo junto.
Põe na conta.