segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Meu bebê tem um ano



Você não vai se lembrar, filha, mas a festa do seu primeiro aninho bombou. Olha a foto do bolo aí em cima. Vovó Wilma fez tudo com as próprias mãos – inclusive o bolo, sabia? E o comentário geral foi: como ela está se divertindo!

Claro que a vovó estava se divertindo. Mas o comentário era sobre você.

Ficou linda naquele vestido “longuinho” branco com flores bordadas. Mamãe comprou o sapatinho de última hora, não era o mais bonito do mundo, mas no seu pé ficou uma jóia. Aliás, duas. Três com o seu sorriso. Quatro com a sua alegria. Cinco, sete, quinze, treze, oito.

(Calma, você ainda vai aprender a contar, e depois vai aprender como é legal quando a gente esquece a ordem dos números porque bate uma onda de alegria e bagunça tudo. Essa parte do bagunça tudo você já está começando a pegar rápido, tenho reparado).


Kiu – da lei da gravidade, não tão grave assim

Filha, hoje você disse “kiu” pela primeira vez. Acho que temos que conversar um pouco a respeito. Dizer kiu é muito importante na vida de uma pequena pessoa. Das grandes também.

A mamãe presenciou e vai registrar aqui o momento para não esquecer: você atirou um carrinho no chão e disse: kiu! Apontou para ele e repetiu: kiu!

Sim, o carrinho caiu. Quando as coisas voam da nossa mão e batem no chão é kiu. Quando uma bolinha de algodão escorrega do trocador, por exemplo, a gente pode dizer que é um kiu macio. Quando é um copo de vidro, kiu e quebrou. Não faz mal, é só não pisar em cima e chamar logo um adulto.

Um detalhezinho que você pode ainda nem ter percebido: pessoas também kiu. Mamãe já kiu de bicicleta uma vez e tem a cicatriz até hoje. Você também já kiu várias vezes, sabia? Até chorou, mas foi só o susto. Kiu, mas nem doeu.

Uma coisa o seu tio sempre diz: avião não cai, ele é derrubado. Seu tio é piloto, mas graças a Deus não exerce a profissão (mamãe ficaria eternamente preocupada com o kiu dele). O que ele quer dizer com isso é que aviões não foram feitos para cair. Se não houver nenhum erro, seguem voando até pousarem confortavelmente em algum aeroporto grande e liso.

Isto posto (mamãe envereda por uns termos esquisitos às vezes, desculpe), deve ficar claro o seguinte: kiu é normal, é a lei da gravidade. Todos os corpos – e os pedaços, e os cacos, e os punhados e até os farelos do biscoito de maisena – são atraídos loucamente por uma coisa reta e dura chamada chão. Até dizem: “do chão não passa”. Isso significa que a lei da gravidade, na verdade, não é tão grave assim.

Quando você joga alguma coisa no chão, dizer kiu é relativo. Claro que kiu, mas foi porque você quis. Isso pode amenizar o olhar perdido e sensação de injustiça, afinal, já viu jogador de basquete ficar triste porque a bola kiu na cesta? Só se for do outro time.

O que a mamãe quer dizer com essa conversa toda é que existem inúmeros tipos de kiu, e nem todos são tristes. E, principalmente: tem coisa que jamais kiu. Você é milha filha – e podem mandar a lei da gravidade com o promotor mais engravatado e o juiz mais gravíssimo que houver, ninguém nunca vai conseguir fazer isso kiu. É nosso e ninguém tasca.

A alegria da família na sua festa de um aninho, o seu sorriso faceiro e sapeca diante do bolo fazendo hummmm, as palminhas que você batia no colo do seu pai e as gracinhas que você fazia provocando risos gerais – tudo isso tem um selo enorme escrito assim: “eternamente à prova de kiu”.

E o resto todo pode kiu à vontade, é só a gente não pisar em cima e chamar logo um adulto.

2 comentários:

Rachel disse...

Oi..estou de castigo, ou melhor de repouso e fiquei lendo seu blog,ammmeeeeii,Parabéns ..além de escrever muito bem, ainda aprendi muuuiitto com suas dicas, leitura com aprendizado e diversão garantida, encontrei vc na comunidade gravidez depóis de 30.bjus e sucesso para vcs!

Anônimo disse...

Mas já???

Bíbi, vc poderia mudar o link do meu blog? É que não tenho com redirecioná-lo. Obrigada e um beijo,
Marina

www.marinaw.com.br