sábado, 19 de abril de 2008

Cisma de bebê

É tão engraçadinho: eles aprendem por repetição e vivem sendo inéditos. Nunca vi coisa mais repetitiva – e menos repetitiva - que um bebê de um ano. Parece que o mundo é uma grande cisma. Palavras. Sílabas. Pessoas. Tudo é cisma. E, de tanto cismar com o velho, aparecem com uma novidade a cada momento.

- Filha, esse é o hipopótamo.

Eu adoro dizer palavras complicadas só para ouvir o jeito simplificado e fofo que ela inventa para pronunciá-las.

- Popó. Popó. Popó.

Pronto, cismou com o hipopótamo.

- Isso mesmo, querida. Hipopótamo.

- Popó. Popó. Popó.

Ela está com o dedinho indicador sobre a figura redonda do hipopótamo, como se quisesse me mostrar. Acho que já não lembra que fui eu quem mostrou primeiro, ou não se importa com isso. Para incentivar, demonstro surpresa.

- Ah, é? Esse é o hipopótamo? Mesmo?

- Popó! Popó! Popó!

Repete, animadíssima. Dedinho na figura, olhos arregalados.

- Você achou o hipopótamo aí, foi? Mas que menina esperta!

- Popó! Popó! Popó!

Acabo me animando com a alegria dela e tenho vontade de mostrar hipopótamos nas enciclopédias, dizer o que comem, procurar quanto pesam, achar vídeo no You Tube, hipopótamos que cantam, cozinham, como dormem, hipopótamos de todas as cores, comprar hipopótamos de pelúcia, chocolate, marzipan...

O melhor da cisma dos bebês é ser adoravelmente contagiosa.

2 comentários:

Denise Azevedo disse...

Concordo com você! A gente fica toda boba, e dá vontade de ficar mostrando tudo só pra ver a reação.

Beijos pra vocês!

bibi disse...

Exatamente: "só para ver a reação". É isso mesmo! Uma coisa tão boba, mas que nos preenche completamente.
Beijos!