segunda-feira, 7 de junho de 2010

Era uma casa muito engraçada

O post anterior – sobre a pose da minha filha, argumentando que já tem “um metro” – me lembrou dessas artimanhas que só as crianças têm para tentar nos convencer a fazer suas vontades. Todo mundo é capaz de relatar cinco ou seis frases recentes, ditas pelos filhos, que nos “desarmam” e, se não nos convencem, pelo menos causam bons momentos de gargalhadas e histórias para contar.

Mas tem uma categoria de argumentos que eu só conheci com a Lara, que eu jamais imaginava que as crianças trouxessem na manga desde tão novinhas: são os “auto-argumentos”. Aqueles que elas usam para convencer a si próprias de que determinado desejo não irá acontecer, e não vai adiantar espernear, porque ovos de chocolate não serão servidos no café da manhã... bom, pelo menos não “nesta” casa.


Lá na minha outra casa...

Um dia ela me perguntou se podia comer chocolate logo ao acordar. Eu disse que não; ela insistiu, eu não cedi. Quando imaginei que ela pudesse fazer um chororô - e já fui me preparando para a argumentação -, ela me surpreendeu:

- Mas lá na minha outra casa eu posso comer chocolate de manhã.

E pronto. Com isso, resolveu a questão e foi comer o que havia para ser comido.

Claro que fiquei curiosa e fui perguntando onde ficava essa outra casa. “Fica no sétimo” - respondeu de pronto. Como moramos no sexto andar, e a avó dela mora no oitavo do mesmo prédio, imagino que o tal “sétimo” devia estar atiçando a curiosidade dela há muito tempo. Resolveu, então, “alugar” o apartamento de cima para sua fantasia. E saiu baratinho...

A partir daquele dia, sem que eu jamais estimulasse ou chamasse o “sétimo” ao assunto, ela espontaneamente começou a mobiliar a “outra casa” com os mais puros elementos do seu desejo. De modo que essa outra casa já tem coelhos cor-de-rosa, gatos, cães, festas de aniversário diárias com bolos imensos e... é claro, uma irmãzinha. Que, aliás, é “muito bebezinha” e tem um nome parecido com o dela: Laura.

Tudo isso ela foi ela foi inventando, sem a nossa interferência, a cada resposta negativa dada a uma vontade sua. Claro que essas vontades não são quaisquer vontades; como podem notar, são desejos do tipo “vou pedir, mas desconfio seriamente que não vá colar...”. As vontades miúdas ela continua tendo, e insistindo, e ensaiando uma manha, uma birra, etc.

Mas que a casa do sétimo andar é uma boa ideia, lá isso é. E eu já ando louca para perguntar se tem um quartinho de hóspedes...

10 comentários:

Camila disse...

Lindo o post! As crianças são realmente surpreendentes! E muuuuito inteligentes!!
Bjos,
Camila
www.mamaetaocupada.blogspot.com

Roberta disse...

Que máximo essa história da "outra casa", adorei! É bom pra você usar também, na linha: "se quiser fazer bagunça, vá fazer lá no sétimo!!" hehe...
bjs

Lia disse...

Que fofa!
Minha irmã mais nova, quando se irritava, dizia que ia se mudar por quinto andar (a gente morava no quarto). Ela pegava um pedaço de pano, amarrava num cabo de vassoura, recheava com um brinquedo e um lanche e lá se ia com a trouxa habitar as escadas.

Paloma, a mãe disse...

Nossa, adorei, diz pra Lara que também vou alugar uma casa no sétimo! O sétimo é uma espécie de Pasárgada!
Beijos

Carol Garcia disse...

Meu Deus!!!
Imagino o meu pequeno danto dessas pra cima de mim!!!
kkkk
eles são mesmo incrivelmente surpreendentes.
adorei seu blog e estou linkando, ok?
bjo
carol
http://viajandonamaternidade.blogspot.com

Angélica disse...

Bem-vinda imaginação fértil nessas ocasiões onde só vai rolar mesmo, no plano das idéias.
Ponto pra Lara. Adorei o sétimo!
Beijos.

Nine disse...

Amei a casa do sétimo andar! Também quero visitar! rsrsrs Beijos!

Sarah disse...

Olá!
Já acompanho seu blog há algum tempo mas não me lembro de ter comentado...
Mas esse post, não resisti: que fofa! Inacreditável como as crianças nos surpreendem né?
um beijo!
Sarah - Mãe do Bento
http://maedobento.blogspot.com/

Letícia Volponi disse...

Que genial essa história, mas confesso que me fez lembrar meu sobrinho torto. Enzo sempre morou em casa, mas dizia que ele tinha um apartamento onde vivia o seu cachorro que era grande e muito bravo.

Chris Ferreira disse...

Ótima! Adorei a imaginação dela. Uma ótima solução que ela encontrou.
beijos
Chris
http://inventandocomamamae.blogspot.com/