quarta-feira, 24 de junho de 2009

Entusiasmo

Minha filha em vestido repolhudo balonê, de veludo vermelho. Uma coisa, e os bracinhos.

Pulava pelos corredores do shopping naquela alegria, o que é que eu posso dizer? Não é o vestido, não é o repolhudo e não é o balonê. São as crianças, seus bracinhos e as coisas que elas não seguram; rodam e sacodem, sem medida, enquanto ainda não estão despencando de sono.

Etimologia da palavra entusiasmo: “Deus dentro de mim”.

As crianças são máquinas de agitar Deus; espalham vida por tudo quanto é canto, liquidificam as certezas com suas dúvidas inéditas a granel. O gatinho na esquina é Deus, e o cabelo engraçado do vizinho, será? O nó na gravata, o pato no desenho que ninguém mais identifica, será que é Deus, escondido, ali?

Sim ou não, não tenho como saber. “Sim” e “não” era no tempo em que tínhamos paredes, teto, chão. Agora a casa voa, é vamos.

Um comentário:

Luíza Diener disse...

que texto tão lindo!