segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Comida de bebê II: e quando ela só quis comer arroz?

Mas outro dia, quando ela ainda comia com a minha ajuda (ou da babá Cristina, ou do papai), encasquetou de querer arroz.

- Arroz! Arrozinho!

Aprendeu tudo no diminutivo, uma fofura. Dei o arroz. Pediu mais.

- A mamãe agora vai misturar um pouquinho de feijão, e...

Parecia que eu estava oferecendo pedras. Rejeitou veementemente, e também aos legumes, e a tudo que não fosse arroz ou arrozinho. Fui distraindo e dando o arroz, mas avisando que, depois, teria que comer também as outras coisas. Doce ilusão.

Quando acabou o arroz, queria mais arroz e não aceitava outra coisa nem por decreto. Mantive a calma aparente, repito, calma aparente. Conversei e fui levando, até que chegou ao ponto de “devolver” um tantinho de carne que eu tinha colocado na sua boca (obviamente, com o consentimento dela).

Mantive a calma aparente, repito, calma a-pa-ren-te, mas rapidamente expliquei que aquilo não podia e a retirei da cadeirinha.

- A mamãe está entendendo que você está sem fome, está bem, então o almoço acabou.

Mesmo que eu tenha dito isso com tranqüilidade e até forçando certa doçura na voz, embora sem jamais sorrir ou esboçar satisfação alguma (afinal, não aprovo o que ela fez e não quero que se torne um hábito), o fato de ter sido “interrompida” num jogo onde ela não aceitava regras – e que, portanto, era apenas um exercício/teste de limites – fez com que ela ficasse extremamente insatisfeita. Para dizer o mínimo.

Claro que, depois de alguns momentos de fúria parecendo que me odiava, passou o trauma e ela já estava brincando alegremente. Também eu tratei de não fazer drama; não acho que se deva ficar “esticando” essas horas de mal-estar ou reprimindo a criança.


Memória emocional

E mais: é surpreendente como os bebês apreendem as coisas rapidamente, e são capazes de se lembrar delas mais tarde. Normalmente, subestimamos neles essa capacidade de aprendizado emocional, porque parecem estar “resistindo” a entender certas normas, ou simplesmente se mostram distraídos e impermeáveis à nossa conversa. Não estão. Na verdade, eles ficam um pouco nervosos – ninguém gosta de ser contrariado! - e procuram subterfúgios. A Lara tem mania de “mudar de assunto” quando estou chamando sua atenção.

- Avião! Avião! Pé! Bola! Hipoglós! Bumbum! Quer biscoito.

Desanda a falar e aponta para todos os lados. Fica uma conversa de doido, porque ela segue dizendo suas palavras-desvio, e eu sigo explicando que não deve fazer assim, melhor é agir de outra maneira, etc.

Qual não é minha surpresa quando, numa nova situação, ela ameaça a mesma travessura, mas basta um olhar e já sai dizendo umas palavras do meu discurso, mostrando que ouviu e entendeu direitinho. Isso não a impede de seguir fazendo o “errado”, claro, mas vai incorporando o processo, aos poucos, e acaba deixando de lado o comportamento que já comprovou não surtir efeito.

Como o repertório é vasto, não demora a encontrar novas traquinagens para testar limites e ver se “cola”. Como diz minha mãe: educar não é difícil, mas tem que ter muita criatividade. Ô!

4 comentários:

Angélica disse...

Haja criatividade, viu Bibi!
No domingo a cena aconteceu comigo: ao invés de arroz, meu pequeno só queria a "carninha" no almoço. Eu que já estou com a paciência curta por conta da carninha querer ser sempre o parto principal, expliquei que depois do macarrão, que ele adora, ganharia a carninha. Nada feito. Aceitou apenas uma colher de macarrão. Depois de muita choradeira, pois eu insistia no prato principal, fui vencida. Mas só "por hoje", pois achei que ele não estava muito bem. Fiquei com peso na consciência por ter sido insistente e "forçado" a amizade. Tudo bem, eu o perdoei e ele a mim. Depois, logo mais, fomos brincar de pega pega no quintal, mais aquela situação está na minha garganta e ele sabe disso. Agora, eu tenho que esconder a "mistura". Lá em casa, come-se primeiro o "arroz e feijão" e só depois é que vem a carninha. Que Deus nos dê paciência e sabedoria pra criar bem esses anjos.

bibi disse...

Angélica,
adorei seu comentário!! Muito bom saber dessas coisas, adorei compartilhar. Qual é a idade do seu filhote?

E outra coisa ótima foi o seu "erro-de-digitação-ato-falho": você escreveu que já está com a paciência curta por conta da carninha querer ser sempre o PARTO PRINCIPAL, hehehe!
Acho que foi um ótimo trocadilho involuntário.
Beijocas.

Angélica disse...

Ai Bibi, foi mesmo involuntário, mas acho que a culpa é da pressa em digitar (pensamos + rápido que conseguimos escrever, rss).
Meu pequeno tem 1 ano e 10 meses.
Beijos e estarei sempre de olho aqui.

Denise Mieko disse...

Bíbi!!!
Esse post me lembrou de uma história que minha amiga me contou da filha dela e eu achei o máximo.. a Isabela (2 anos) também tem mania de desconversar quando está levando bronca... uma dia, pegou e abriu todos os absorventes da mãe dela. Quando a mãe viu, claro, foi dar bronca. A Isa levou o dedo à boca e disse: "Shhhhh... se você ficar quietinha, eu guardo tudo pra você". Pode um negócio deses?!?!?!?!
Beijos!