quinta-feira, 30 de abril de 2009

Adélia Prado - o melhor que a gente puder fazer

Ontem eu estava correndo na esteira, olhando meus cabelos espetados no espelho (precisando corte), suando em bicas e queimando os miolos atrás de certas soluções profissionais para questões urgentes, e com a mesma urgência me cobrando reflexões elaboradas sobre o problema que o homem do jornal na TV anunciava, e o convidado emendava uma explicação que não me convencia, mas era formado em Londres e o diabo a quatro, e meus cabelos sugerindo antenas que já quase tocavam o teto (ao menos assim imginei)...

Pois cheguei em casa, pus minha bunda na poltrona e fiz coisa bem melhor. Fui me aconselhar com Adélia Prado, escuta só:

“Eu tenho pra mim, depois que a gente tem filho só existe uma tarefa pra fazer: cuidar deles. O que está mais perto do amor de pai e de mãe é ódio de pai e de mãe. Que graça tem meu boteco prosperar se faltar alegria dentro da minha casa? Segue o fio da amargura das pessoas pra ver onde ele vai parar: esbarra no pai e na mãe. Não tou falando que bondade de pai e mãe acaba com o sofrimento das pessoas, não (...).

Eu só quero dizer que se a gente esforçar com decência, parar de pensar na gente, pra incomodar mais com estes que nós pusemos no mundo, eles vão dar conta de sofrer sem perder a esperança.”

6 comentários:

Luíza disse...

sábia adélia

Paloma disse...

Perfeito! Não precisa nem de comentário. bjos
Paloma e Isa

Thaís Rosa disse...

que lindo!

Angélica disse...

ótimo texto!
beijos

MT disse...

Adélia é divina! Qual o nome desse poema? De qual livro?
Beijo
Mari

bibi disse...

Gente, que bom que vcs compartilham da minha admiração... mas foi péééssimo não ter citado a fonte direitinho!! Vou fazer uma correção agorinha. Thanks, beijos!